Chico Buarque e Gilberto Gil encerraram o evento, já no início da madrugada deste domingo (29), e reeditaram um momento histórico ao entoarem a composição Cálice, no momento mais aplaudido da noite. Os dois haviam cantado a música juntos pela última vez em 1973, quando foram censurados pela ditadura.
No período militar, os cantores trocaram a letra para burlar o cerceamento, mas ainda assim o microfone de Chico acabou sendo cortado para impedir a interpretação em 1973, durante o festival Phono 73. Desta vez, os artistas contaram um coro da plateia e dezenas de artistas que participaram do festival.
Chico Buarque foi um dos idealizadores do evento, enquanto Gilberto Gil exerceu o cargo de ministro da Cultura entre 2003 e 2008, durante o governo do ex-presidente.
Mesmo debilitada, em uma cadeira de rodas, a cantora Beth Carvalho também foi uma das artistas que subiram ao palco e entoou o samba "o povo diz, nós queremos Lula presidente do país".

Atores globais

Pauline Almeida / Colaboração para o UOL
Osmar Prado, durante o evento Lula Livre
"Está em jogo o destino do Brasil. Evidentemente, nós sabemos que o julgamento do presidente Lula foi baseado em delações, sem provas, julgamento que não foi baseado no mérito, aprisionando um dos maiores lideres do Brasil e da América Latina", disse ao UOL o ator da Globo Osmar Prado.
Outros atores globais estiveram presentes no evento, que teve ares de showmício.
Nós todos aqui estamos reivindicando que Lula fique livre e que ele seja candidato. Ganhar ou perder é um resultado
Herson Capri, ator da TV Globo, sobre a candidatura de Lula, até o momento indefinida
De dentro da prisão e sem aliança com outros partidos, Lula continua coordenando o PT e mantém discurso de pré-candidato. Proibido de dar entrevistas na prisão, manifesta-se por meio de cartas.
Sob os arcos da Lapa, símbolo da boemia carioca, o evento intitulado "Lula Livre" reúne centenas de apoiadores do petista, muitos com camisetas vermelhas e máscaras de rosto com fotografia do ex-presidente.
O cantor Chico César, outro dos músicos presentes, disse que "a partir do impeachment de Dilma, depois com a prisão de Lula, há um sentimento de fragilização da democracia". "Grupos sem nenhum caráter, ligados às bancadas da bala, boi, bíblia, droga, se uniram para dominar o Brasil, tirar seu quinhão e vender o Brasil para o exterior", completou.
Uma das primeiras a se apresentar, a cantora Ana Cañas cantou "O Bêbado e a Equilibrista" - canção que, segunda ela, Lula diz representar sua vida. Ana ainda lembrou a vereadora Marielle Franco, assassinada em março e que faria 39 anos na última sexta-feira (27). 
Pouco antes de subir ao palco e anunciar que cantará "Eu vou tirar você desse lugar", o cantor Odair José questionou a prisão de Lula. "Estou convencido de que o ex-presidente Lula sofre uma injustiça, e que o povo brasileiro sofre um desrespeito", afirmou.

TRE Rio apreendeu materiais 

A tarde começou marcada por polêmica. Fiscais do Tribunal Regional Eleitoral apreenderam materiais da deputada federal Jandira Feghalli (PCdoB) e do deputado estadual Gilberto Palmares (PT). 
Feghali classificou o ato de "arbitrariedade", e o tribunal alegou que os itens apreendidos configuravam campanha eleitoral antes do prazo legal. 
Campanhas com adesivos, panfletos com nomes de candidatos estão autorizadas apenas em 16 de agosto.
Em nota, a assessoria de imprensa da campanha do ex-presidente Lula à Presidência informou que não houve violação de qualquer regra da Justiça Eleitoral com o festival "Lula Livre", já que "nenhum político subiu ao palco, nem foi pedido voto ao ex-presidente". Conforme a assessoria, o evento "foi um ato pela liberdade de Lula."