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Os ônibus em Belém estão todos sucateados', diz motorista que presenciou quatro ônibus no prego em apenas uma viagem

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Um grupo de passageiros de Icoaraci, distrito de Belém, denuncia o sucateamento dos ônibus. Em uma viagem de Icoaraci ao centro da cidade esta semana eles foram transferidos para três ônibus diferentes e os três veículos ficaram no prego. Próximo à UEPA do Telégrafo eles presenciaram um quarto ônibus no prego e os passageiros desse quarto coletivo tiveram de ser transferidos para o ônibus em que eles estavam. A viagem que dura cerca de 40 minutos naquele horário durou 2h45. O G1 aguarda um posicionamento da empresa Belém Rio.
“Um absurdo! Ser transferido para três ônibus porque os três ficaram no prego. E ainda levamos quase três horas pra fazer o trajeto Icoaraci-centro. Dava tempo de fazer uma viagem pra fora do estado!”, disse o motorista de um dos veículos com defeito, que não quis se identificar.
O primeiro veículo com defeito parou na travessa São Roque, ainda em Icoaraci. Os passageiros foram transferidos para outro ônibus, da mesma linha, Icoaraci Ver-o-Peso, que também ficou no prego na avenida Arthur Bernardes próximo à entrada do Tapanã. Os passageiros novamente foram transferidos para outro ônibus, que também apresentou defeito no bairro do Telégrafo. Antes disso, esse coletivo recebeu passageiros de outro veículo que estava no prego em frente à UEPA.
Passageiros são transferidos para este terceiro ônibus (Foto: Luiz Cláudio Fernandes)
autônomo Cláudio Fernandes também pegou um ônibus da linha Icoaraci Ver-o-Peso esta semana e o ônibus ficou no prego. Ele denuncia que o problema é rotineiro e que os ônibus são sujos. Alguns seguem viagem vagarosamente por causa de problemas visíveis no motor.
“É um desrespeito à população! Eu já viajei para várias capitais e constatei que Belém tem o pior sistema de transporte”, diz a estudante Alessandra Albuquerque. Ela informa que está reunindo um grupo de amigos para procurar a Defensoria Pública do Pará e mover uma ação coletiva contra o município. A defensora pública Luciana Filizzola Bringel, da Associação dos Defensores Públicos do Pará (ADPEP), esclarece que a população deve procurar o Núcleo do Consumidor (Nucon) da Defensoria Pública para esse tipo de situação.

Passagem cara

Segundo a população, o valor da passagem de ônibus (R$ 3,30) é muito cara e não condiz com a qualidade do serviço oferecido. Nesta sexta-feira (17), inclusive, não repercutiu positivamente uma campanha veiculada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel) sobre o preço da passagem. Indignados, internautas e instituições paraenses criticaram a propaganda "Se mais passageiros pagassem, a tarifa poderia ser menor".
De acordo com a campanha, de cada 50 passageiros, 9 são gratuidades (idosos e deficientes); 10 são estudantes que pagam meia passagem; 15 são trabalhadores com carteira assinada que utilizam o vale transporte e 16 são pessoas que pagam em dinheiro a tarifa integral. Ainda de acordo com o sindicato, os benefícios sociais como gratuidade e meia passagem, previstos em Lei, geram impacto direto no valor da tarifa.
A Comissão de Proteção aos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB-PA publicou uma nota de repúdio contra a campanha da Setransbel. “A propaganda aduz que o valor alto da tarifa paga nos transportes públicos é vinculada diretamente ao número de pagantes usuários do serviço, alertando, entretanto, que o alto número de gratuidades que são fornecidas (por lei, diga-se) aos idosos, pessoas com deficiência e meia passagem aos estudantes, são um grande prejuízo, pois se todos pagassem o valor normal da passagem, a tarifa então seria menor. Tal manifestação coloca todas as pessoas com deficiência como vilãs na sociedade”, diz a nota.
“Lembramos que as pessoas com deficiência pagam os mesmos impostos, e, têm por direito, a gratuidade nos transportes. Vivem numa sociedade cega, pois são excluídas das políticas públicas. A lógica de toda a empresa é o lucro, a livre iniciativa, por óbvio, entretanto transportes públicos são serviços de concessão do Estado, ou seja, há um papel de função social a ser cumprido, o que quer dizer garantir direitos à população a igualdade e não só de cunho formal, mas também no aspecto material, da equidade”, continua o texto.
A nota frisa ainda que tal tipo de publicidade “configura-se como verdadeira desonestidade intelectual, gerando odiosidade a grupos que já são por si só marginalizados socialmente”. “É no mínimo absurdo um comercial que propaga a ideia de que benefícios sociais historicamente conquistados através de muita luta não são justos ou merecidos. Absurdo e discriminatório. Assim, pedimos imediata retratação do órgão público”, finaliza a nota.
A Associação de Mães e Amigos dos Autistas do Pará (AMAAP) também apresentou a sua indignação à campanha e a classificou como "um desserviço". A instituição pediu que o sindicato retire imediatamente o comercial de todas as mídias nas quais foi veiculado e "que acrescente uma nota de reparação a toda a população direta e indiretamente afetada pela irresponsabilidade de sua publicidade".
O Ministério Público do Estado do Pará deve se pronunciar na próxima segunda-feira (20) sobre a publicidade.

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