Mulheres realizam protesto contra Bolsonaro em Ouro Preto-MG - TV Canal Dom Silvério

Mulheres realizam protesto contra Bolsonaro em Ouro Preto-MG

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Mulheres de todo o Brasil saíram às ruas neste sábado (29) contra o candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, atualmente deputado federal no Rio de Janeiro. Os posicionamentos fascistas e conservadores defendidos pelo presidenciável e seus apoiadores culminou em uma ampla mobilização nas redes sociais, que ganhou força com o grupo do Facebook “Mulheres unidas contra Bolsonaro” e com a hashtag #EleNão.
Em Ouro Preto (MG), o ato foi organizado pela União Brasileira de Mulheres que logo em seguida contou com o apoio do Movimento de Mulheres Olga Benário e outros movimentos sociais. Às 14h, manifestantes de todas as idades se concentraram na Praça Tiradentes. Elas empunharam cartazes e gritaram palavras de ordem como “Nem fraquejada, nem do lar, a mulherada está na rua para lutar”. Gritos de “ele não” também foram entoados com frequência.
A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM-Ouro Preto), Débora Queiroz, justificou o seu “ele não” – “Jair Bolsonaro não representa as mulheres. Mas antes de ser um político racista, homofóbico, machista e defensor da tortura, o seu projeto de país não contempla toda a população brasileira, ou seja, é pautada pela exclusão. Nós queremos um projeto de país que contemple as minorias sociais que na verdade são maioria desse país, como as mulheres e os negros”.
Já a professora e integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário, Luana Freitas, destacou a importância do ato iniciado na internet por mulheres de todo o país. “Hoje nós somos mais de 3 milhões gritando “ele não” e, em Ouro Preto, temos o mesmo propósito: impedir que Bolsonaro chegue à Presidência da República, já que ele não possui planos para as minorias, aliás ele quase não possui projetos de governo. O político já demonstrou publicamente que as mulheres não terão vez caso ele seja governante”.
Por que #EleNão
A equipe de reportagem do Jornal Voz Ativa conversou com vários manifestantes que justificaram o protesto contra a candidatura presidencial do deputado federal nas eleições que acontecem em 7 de outubro. Leia algumas declarações à partir da pergunta – por que ele não?
“Ele não, porque nós mulheres, negros, negras e povo brasileiro não podemos retroceder. Fascismo, nazismo, nada disso por aqui. Essa onda de ódio que tem invadido o país precisa ser banida de vez. Se o mundo diz não, por que o povo brasileiro retrocede? Isso é ser analfabeto político”. Aída Anacleto, representante do Conselho de Igualdade Racial de Mariana.
“Ele não, porque quando pensamos um Brasil que precisa ter mulheres, negros, lgbts, em pé de igualdade, não estamos pensando em um país apenas para essa população específica, mas em uma Nação que será boa para todo mundo. O projeto de Bolsonaro, que na verdade não nos diz absolutamente nada, não é bom para a população citada, mas no fundo acaba não sendo bom para ninguém”. Cassandra Muniz, professora da UFOP.
“Porque nós somos de Ouro Preto, a terra da liberdade, a cidade de Aleijadinho, onde mais de 70% por cento de seus habitantes se declaram afrodescendentes, segundo dados do IBGE. Então um candidato que zomba dos afrodescendentes durante toda a sua carreira política, não merece a confiança desse povo e desse patrimônio que foi erguido pelas mãos dos africanos”. Chiquinho de Assis, vereador.
“Eu o vejo como um homem totalmente despreparado que nunca foi governador e não entende de economia. Além disso eu como mulher negra não posso concordar com seu posicionamento racista que já foi muito divulgado pela mídia”. Amanda Campos, estudante.
“A democracia é uma conquista da sociedade brasileira e a partir do momento que há uma pessoa que ameaça essa conquista, eu acho que não é interessante para o desenvolvimento da Nação, para a liberdade de expressão e para o respeito das minorias no país. Por isso, ele não”. Eduardo Nonato Júnior, funcionário público.
“Porque o discurso de ódio que ele reproduz representa apenas a classe dominante do país. Além disso ele está contra trabalhadores e trabalhadoras e isso não faz o menor sentido”. Vitória de Carvalho, estudante.
“Jair Bolsonaro é um candidato totalmente despreparado, que não entende de economia ou administração. Além disso ele é racista, homofóbico e machista. Ele é o símbolo do fascismo crescente nesse país”. Victória Gomes, estudante.
“Esse candidato merece um não contundente. Esse não que está sendo gritado em todo o país é um sim para a liberdade, democracia e para os direitos individuais. Já basta os 21 anos de regime militar que só aumentaram a crise brasileira. Não é com armas nas mãos que vamos resolver os problemas do país. Nós não queremos uma pessoa que venha promover a guerra civil no país e sim a paz. Por isso ele não”. Angelo Oswaldo, secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais.
Repercussão internacional
Vários artistas e celebridades, nacionais e internacionais, aderiram à Campanha #EleNão, que ganhou força após a cantora baiana Daniela Mercury desafiar a colega Anitta a se manifestar pelo Instagram. O desafio foi aceito, mas antes dela, várias globais já haviam se manifestado, como as atrizes Nathália Dill, Sophie Charlotte, Leticia Sabatella, Camila Pitanga e Letícia Colin.
Um grupo incluindo artistas, empresários, intelectuais, esportistas e ativistas pelos Direitos Humanos foram signatários de um manifesto intitulado “Pela democracia, pelo Brasil”. Mais de 180 mil pessoas assinaram o documento contra o candidato.
O movimento vem tomando corpo com outras mulheres como a produtora cultural Paula Lavigne, e as cantoras Céu, Maria Gadú, Marília Mendonça, Teresa Cristina, entre outras. A campanha também tem repercutido lá fora. O jornal The New York Times escreveu uma matéria criticando o candidato e vários homens têm apoiado o movimento, dentre eles o ator britânico Stephen Fry, os integrantes da banda Black Eyed Peas e Dan Reynolds do Imagine Dragons. Caetano Veloso, Chico Buarque também fazem parte do time dos que dizem #EleNão, entre outros.
Até mesmo a diva pop Madonna fez um stories em seu perfil no Instagram em que pede o fim do fascismo – “#EleNão vai nos desvalorizar #EleNão vai nos oprimir #EleNão vai nos calar”, postou a cantora que atualmente vive com os filhos em Portugal.

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