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Papo em dia: Facundo Conte fala sobre Sada/Cruzeiro, seleção, Olimpíada de Tóquio e sonhos

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Campeão da última edição da Superliga defendendo o Taubaté, Facundo Conte chegou ao Sada/Cruzeiro para ser um dos grandes nomes do elenco, que passa por reformulação. Em pouco mais de três meses defendendo a camisa celeste, o argentino já mostrou sua qualidade e foi eleito para a seleção do Campeonato Mundial de Clubes, disputado no início de dezembro, em Betim.
Facundo é filho de Hugo Conte, um dos grandes nomes da história do voleibol argentino. Desde cedo, é considerado um dos principais atletas da nova geração do esporte em seu país. Com 30 anos, o ponteiro do Cruzeiro é um dos mais experientes da seleção hermana, já classificada para as Olimpíadas de Tóquio, em 2020.
Típico jogador argentino, o camisa 7 da Raposa acredita que o volume de jogo característico de atletas de seu país é fruto de uma herança de gerações passadas, da valorização da qualidade técnica na base e de certa defasagem física comparada a outras potências mundiais. Com todos esses atributos dentro de quadra, acredita que pode ajudar o Cruzeiro a reconquistar a tão importante Superliga. 
Cruzeiro
Você foi campeão na última temporada pelo Taubaté e conhece muito bem a equipe. Como você enxerga o Sada/Cruzeiro na briga pelo título da Superliga?
É o que mais quero. Essa é a esperança que tenho e que o time tem. Viver no ano passado a semifinal contra o Cruzeiro e depois vencer a Superliga foi uma experiência inesquecível para mim. Agora, jogar em uma equipe deste tamanho, que é o Sada/Cruzeiro, me faz querer voltar a ganhar títulos. Estamos construindo um time para tentar trazer mais uma Superliga para cá.
A campanha do vice no Mundial, batendo de frente com as melhores equipes do mundo, dá confiança para o restante de temporada?
Com certeza. Foi um torneio incrível, jogamos muito bem, e a final foi decidida apenas nos detalhes. Fico feliz porque o time conseguiu jogar vôlei num nível muito alto. A gente tem muito jogador novo aqui, faz pouco tempo que estamos juntos. Estamos olhando para frente, querendo ganhar a Superliga. Jogar da maneira que jogamos o Mundial logo no início da temporada é muito importante para saber a força que temos para aprender e crescer.
Cruzeiro
No Mundial ficou evidente o volume de jogo que você e o Gord Perrin conseguem dar para a equipe. Acha que nesse quesito vocês formam a dupla de ponteiros mais habilidosa da Superliga?
Cara, sei lá. Tem muito jogador bom, jogadores da seleção nacional jogando aqui também. A gente conseguir ajudar o time pelo nosso jeito de jogar, sem imitar ninguém. Nenhum jogador ganha um jogo sozinho e muito menos um campeonato como a Superliga. Acho que nós dois encaixamos bem na nossa equipe. Nosso objetivo é pensar em dar tudo que a gente tem e usar todos os recursos que temos para ganhar.
Na temporada do título em Taubaté, você, Lucarelli e Douglas se alternaram muito na titularidade. Como foi isso para você? Acha que tem uma responsabilidade maior aqui no Cruzeiro?
Sempre fui acostumado a jogar todos os jogos, a receber muitas bolas em todos os times que joguei, na seleção também. No começo, foi difícil me adaptar a essa situação do ano passado, de ficar fora de quadra. Eu sempre estive dentro, então foi difícil até para pegar ritmo de jogo e tudo mais. Tudo fez sentido no final porque a gente ganhou. Mas tendo a possibilidade de escolher, queria e quero muito jogar, porque amo vôlei, e ficar longe de casa, como estrangeiro, sem jogar, eu não gosto. Tenho uma responsabilidade maior e eu gosto disso, de jogar jogos importantes, por isso estou muito feliz aqui e agora.
Por que você acha que tantos filhos ou sobrinhos daquela geração histórica do voleibol argentino vingaram no mesmo esporte, como você, Uriarte, Quiroga e Martínez? Como você enxerga esse fenômeno?
Acho muito interessante o jeito que o vôlei é, um esporte muito mais familiar, digamos assim. Hoje, há muitos filhos dos nossos jogadores que vêm ver os jogos, eles serão no futuro o que eu sou, né? A gente gosta disso, é um ambiente muito amigável e aberto, não tem a agressividade que existe em outros esportes. Olhar os meninos nos vendo é muito emocionante, então, para nós, que vimos nossos pais sendo tão importantes para o esporte na Argentina, acho que foi natural a gente jogar. Isso é muito legal, uma tradição familiar, mas que aconteceu naturalmente. Cada um de nós escolheu jogar vôlei porque estava no sangue, não dava para fazer outra coisa.
Cruzeiro
Você acredita que muito desse legado se dê por conta do estilo de jogo do voleibol argentino, marcado por técnica e volume de jogo, por tantos anos?
Pode ser. Pode ser que a gente tenha uma visão mais ampla do jogo, já que assistimos o vôlei desde muito pequenos. A gente tem outro entendimento do jogo, talvez de ver coisas ou ter certas reações naturais a partir de uma leitura de jogo mais rápida do que os outros caras. Mas acho que essa característica argentina de volume de jogo, assim como a francesa, vem mais de uma questão física. A gente não é fisicamente como brasileiros, russos e poloneses. Estamos sempre abaixo fisicamente. Então tudo isso é uma dificuldade para nós, porém também dá outra força para a gente. Acho que o trabalho de base na Argentina é fundamental, a gente joga muitas vezes num nível técnico muito bom. Há alguns anos, éramos a melhor seleção de base no ranking mundial, então acho que isso é o que marca nossa identidade.
Após a grande campanha que a Argentina vinha fazendo na competição, como foi digerir aquela derrota para o Brasil nas quartas de final das Olimpíadas do Rio?
Doeu muito. A gente acreditou tanto que conseguiria... O Brasil saiu em quarto no grupo dele e, depois, foi campeão. A gente vinha fazendo um torneio incrível, sendo o primeiro do nosso grupo e enfrentado o Brasil (nas quartas), com um monte de argentino no ginásio. Fiquei em casa chorando uma semana depois das Olimpíadas, porque não conseguia acreditar na oportunidade que a gente teve. Mesmo no jogo contra o Brasil, foram pequenas diferenças que deram o jogo para eles. Me machuquei no primeiro set também. Tudo acontece por um motivo, espero que isso tenha nos ensinado muito para as próximas Olimpíadas. Espero que em Tóquio seja diferente.
Outro argentino que passou por aqui recentemente foi o Uriarte, que é seu amigo de infância. O que ele te falou sobre o clube e a cidade?
Ele foi muito feliz aqui. A esposa dele sempre falou sobre Belo Horizonte. Os dois ficaram muito satisfeitos com a experiência que tiveram aqui na cidade e me falaram sobre essa experiência positiva. Ter um irmão, como é o Uriarte para mim, falando tudo isso é muito legal. Por isso vim com muita motivação, querendo viver tudo o que eles me falaram. Todo mundo aqui é muito legal, muito receptivo, então isso é muito importante na convivência e no trabalho.

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